O tratamento para linhas de marionete pode suavizar as marcas que descem dos cantos da boca em direção ao queixo e deixam o rosto com aparência triste ou cansada.
Contudo, essas linhas não aparecem apenas pela falta de volume. Envelhecimento da pele, mudanças na gordura facial, perda de sustentação e ação dos músculos do terço inferior também participam da sua formação.
Por isso, preencher diretamente toda a depressão nem sempre representa a melhor estratégia. O objetivo deve ser recuperar equilíbrio sem aumentar excessivamente o volume ao redor da boca.
O que são as linhas de marionete?
As linhas de marionete são sulcos que começam próximos aos cantos da boca e seguem em direção à mandíbula.
Elas fazem parte das mudanças do envelhecimento da região ao redor da boca. Ao mesmo tempo, podem acompanhar queda dos cantos labiais, perda da linha mandibular e formação das chamadas bochechas caídas.
Sua intensidade varia de acordo com anatomia, idade e características individuais.
Uma análise quantitativa publicada em 2026 mostrou aumento progressivo do comprimento e da profundidade dessas linhas com a idade. O estudo também encontrou progressão simultânea das alterações da mandíbula e da região próxima ao queixo.
Portanto, as linhas de marionete devem ser avaliadas como parte do envelhecimento do terço inferior, não como uma ruga isolada.
Por que as linhas ficam mais profundas com o tempo?
O envelhecimento facial acontece em diferentes camadas.
A pele perde elasticidade. Os compartimentos de gordura mudam de posição e volume. Além disso, músculos, ligamentos e estruturas ósseas também sofrem alterações.
Na região ao redor da boca, essas mudanças podem favorecer uma descida dos tecidos e aprofundar as linhas próximas aos cantos labiais.
A movimentação dos músculos também exerce influência. Alguns músculos puxam os cantos da boca para baixo e podem contribuir para uma expressão aparentemente triste em determinados pacientes.
Por isso, uma linha visível pode resultar da combinação de vários fatores.
Tratamento para linhas de marionete começa pelo diagnóstico
Antes de escolher um procedimento, é necessário entender por que aquela linha apareceu.
A avaliação pode considerar:
- Profundidade da linha
- Posição dos cantos da boca
- Volume das bochechas
- Presença de flacidez
- Formação de bochechas caídas
- Definição da mandíbula
- Projeção do queixo
- Qualidade da pele
- Movimentação muscular
- Preenchimentos realizados anteriormente
O envelhecimento do terço inferior envolve perda de volume, deslocamento de gordura, frouxidão dos tecidos e mudanças ósseas. Portanto, corrigir somente a superfície pode produzir um resultado incompleto.
Preenchimento com ácido hialurônico pode ajudar?
Sim. O ácido hialurônico pode ser utilizado para suavizar linhas de marionete quando existe uma depressão relacionada à perda de suporte ou volume.
Contudo, a aplicação não precisa preencher toda a extensão da linha.
Uma revisão anatômica recente destaca que diferentes planos de aplicação podem ser utilizados conforme a origem da alteração. O tratamento também pode ser combinado com estratégias destinadas à ação muscular.
Estudos clínicos com preenchimentos no terço inferior mostraram melhora das linhas de marionete e da harmonia facial. Um estudo recente avaliou tratamentos em etapas envolvendo queixo, sulcos e linhas de marionete e observou melhora estética com resultados considerados naturais pelos avaliadores.
A escolha da quantidade deve ser conservadora e individual.
Por que preencher diretamente pode deixar o rosto pesado?
A região abaixo dos cantos da boca já pode apresentar acúmulo ou descida de tecidos com o envelhecimento.
Se grande quantidade de produto for adicionada diretamente nessa área, o terço inferior pode ficar mais largo e pesado.
Além disso, parte da linha pode existir porque estruturas superiores perderam suporte ou porque a mandíbula apresenta uma depressão próxima ao queixo.
O tratamento do terço inferior exige uma visão global da anatomia. A literatura sobre preenchimentos nessa região destaca a importância de avaliar queixo, mandíbula, região próxima às bochechas caídas e equilíbrio facial antes da aplicação.
Por isso, usar mais produto não significa obter maior rejuvenescimento.
Tratar o queixo pode melhorar as linhas de marionete?
Pode ajudar em pacientes selecionados.
Quando existe pouca projeção do queixo ou uma depressão próxima à mandíbula, o contorno do terço inferior pode ficar menos definido.
Nessa situação, tratar pontos estruturais pode melhorar a transição ao redor das linhas sem preencher excessivamente a própria dobra.
Um estudo sobre tratamento combinado do terço inferior mostrou resultados favoráveis quando queixo, sulcos e linhas de marionete foram avaliados em conjunto.
Contudo, nem toda pessoa precisa de preenchimento no queixo.
A indicação depende de proporções, perfil e anatomia individual.
Toxina botulínica pode ajudar?
Em alguns casos, sim.
O músculo depressor do ângulo da boca participa do movimento que puxa os cantos labiais para baixo.
Quando sua ação contribui significativamente para a queixa, pequenas aplicações de toxina botulínica podem reduzir essa força. A anatomia funcional da região, entretanto, varia bastante entre pessoas e até entre os dois lados do mesmo rosto.
Por isso, essa é uma região que exige conhecimento anatômico preciso.
Aplicações inadequadas podem alterar o sorriso, a fala ou os movimentos da boca.
A toxina também não preenche a depressão. Portanto, sua função é diferente daquela do ácido hialurônico.
Bioestimuladores resolvem linhas de marionete?
Bioestimuladores podem ajudar quando a perda de firmeza participa do envelhecimento do terço inferior.
Contudo, eles não devem ser considerados uma forma de preencher diretamente uma linha profunda.
A principal função está relacionada à melhora progressiva da qualidade e da sustentação dos tecidos.
Em pacientes que apresentam flacidez, perda de definição mandibular e linhas de marionete simultaneamente, uma abordagem combinada pode fazer sentido.
Entretanto, a região inferior do rosto já pode apresentar maior volume devido à descida dos tecidos. Por isso, qualquer estratégia que aumente a espessura precisa ser planejada com moderação.
A literatura atual reforça que o envelhecimento facial deve ser tratado de acordo com as estruturas envolvidas, evitando uma abordagem baseada apenas em volumização.
Tecnologias podem complementar o tratamento?
Podem, principalmente quando existe flacidez e perda de qualidade da pele.
Tecnologias destinadas à remodelação de colágeno podem melhorar firmeza e textura. Contudo, não eliminam isoladamente sulcos profundos causados por alterações estruturais.
A escolha depende do grau de frouxidão dos tecidos e da anatomia do terço inferior.
Em alguns pacientes, melhorar a firmeza antes de utilizar preenchimentos permite avaliar quanto volume realmente será necessário.
Essa abordagem em etapas pode ajudar a evitar excessos.
E quando existem bochechas caídas?
As bochechas caídas podem tornar as linhas de marionete mais evidentes.
Sua formação envolve envelhecimento da pele, redistribuição da gordura, ação muscular e perda de suporte. Por isso, o tratamento deve considerar a região mandibular como um conjunto.
Quando existe um grande volume de tecido descendo sobre a mandíbula, preencher diretamente a linha pode não produzir o resultado esperado.
Nesses casos, pode ser necessário melhorar sustentação, contorno mandibular ou flacidez.
Em alterações avançadas, procedimentos não cirúrgicos também apresentam limitações.
Quando a cirurgia pode ser mais adequada?
Quando existe excesso importante de pele e descida acentuada dos tecidos, preenchimentos e tecnologias podem produzir apenas uma melhora parcial.
Continuar adicionando volume para compensar a flacidez pode aumentar o tamanho do rosto sem reposicionar adequadamente os tecidos.
O envelhecimento do terço inferior inclui queda dos tecidos, perda da definição mandibular e formação de linhas profundas. Tanto tratamentos cirúrgicos quanto não cirúrgicos podem ser considerados conforme a intensidade dessas alterações.
Por isso, reconhecer os limites dos injetáveis também faz parte de um planejamento natural.
Como evitar um resultado artificial?
O princípio mais importante é tratar a causa predominante e não simplesmente apagar todas as linhas.
Alguns cuidados incluem:
- Avaliar o rosto inteiro
- Utilizar volumes conservadores
- Não preencher automaticamente toda a linha
- Observar os movimentos da boca
- Avaliar queixo e mandíbula
- Considerar a presença de flacidez
- Respeitar assimetrias naturais
- Realizar tratamentos em etapas
- Aguardar a acomodação antes de acrescentar produto
- Reconhecer quando a cirurgia apresenta indicação melhor
O objetivo não consiste em deixar a região completamente lisa.
Uma pequena linha pode fazer parte de um rosto natural e continuar compatível com uma aparência rejuvenescida.
Quais são os riscos dos preenchimentos?
Os efeitos mais comuns incluem edema, sensibilidade, hematomas e irregularidades temporárias.
Também podem ocorrer infecções, nódulos e assimetrias.
Embora complicações vasculares sejam incomuns, uma aplicação dentro de uma artéria pode causar danos aos tecidos e, em situações graves, complicações visuais ou neurológicas. Reconhecimento rápido é essencial para reduzir o risco de sequelas.
Dor intensa ou alteração persistente da cor da pele após a aplicação precisam ser avaliadas rapidamente.
Por isso, o tratamento deve ser realizado por profissional habilitado, com conhecimento anatômico e capacidade para identificar e tratar complicações.
Tratamento para linhas de marionete exige equilíbrio
O tratamento para linhas de marionete pode suavizar a aparência triste e melhorar o contorno do terço inferior.
Contudo, essas linhas são resultado de diferentes mudanças do envelhecimento. Por isso, apenas preencher diretamente a região pode gerar excesso de volume sem corrigir adequadamente a causa.
No Instituto Matheus Arantes, a avaliação considera sustentação, movimento muscular, queixo, mandíbula, qualidade da pele e distribuição dos tecidos.
O planejamento pode incluir ácido hialurônico, toxina botulínica, estímulo de colágeno ou tecnologias conforme a necessidade.
Assim, o objetivo é suavizar as linhas preservando movimento, proporções e naturalidade.