Olheiras profundas e sombra no olhar: quando o problema é perda de volume e quando não é

tratamento para olheiras profundas deve começar pela identificação da causa. Embora muitas pessoas associem a região escura abaixo dos olhos à falta de volume, nem toda olheira é provocada por uma depressão anatômica.

Pigmentação, vasos aparentes, bolsas, flacidez e sombras produzidas pelo formato da região também podem escurecer o olhar. Além disso, diferentes causas frequentemente aparecem ao mesmo tempo. Estudos clínicos classificam as olheiras em componentes pigmentares, vasculares, estruturais e mistos.

Por isso, preencher automaticamente a região pode produzir pouco benefício e, em alguns casos, aumentar edema ou irregularidades.

Tratamento para olheiras profundas começa pelo diagnóstico

Primeiramente, é importante diferenciar uma olheira realmente profunda de uma olheira apenas escura.

A depressão localizada entre a pálpebra inferior e a bochecha é frequentemente chamada de sulco lacrimal. Alterações nessa região podem criar uma sombra que deixa o olhar aparentemente cansado.

Com o envelhecimento, mudanças nos ligamentos e na gordura da região podem tornar essa depressão mais evidente. Estudos anatômicos mostram que a redução e a descida da gordura malar contribuem para o aprofundamento dessa transição.

Entretanto, algumas pessoas apresentam essa anatomia desde jovens.

Assim, o tratamento para olheiras profundas precisa considerar estrutura facial, espessura da pele, presença de bolsas, pigmentação e qualidade dos tecidos.

Como saber quando a olheira é causada por perda de volume?

Quando existe perda de volume, costuma aparecer uma depressão entre a pálpebra inferior e a bochecha.

Essa diferença de profundidade cria sombra, principalmente dependendo da iluminação. Consequentemente, a região pode parecer mais escura mesmo quando a pele apresenta pouca pigmentação.

O problema também pode se tornar mais evidente com:

  1. Envelhecimento facial
  2. Emagrecimento importante
  3. Anatomia naturalmente mais profunda
  4. Redução do volume das bochechas
  5. Alterações na transição entre pálpebra e face

Estudos anatômicos confirmam que a aparência do sulco lacrimal envolve ligamentos, músculos, gordura e estrutura óssea. Portanto, não se trata apenas de uma ruga superficial.

Quando esse componente estrutural predomina, a reposição de volume pode fazer parte do planejamento.

Quando o preenchimento com ácido hialurônico pode ajudar?

O ácido hialurônico pode ser utilizado quando existe uma depressão infraorbital bem definida e anatomia favorável.

Um estudo multicêntrico randomizado com 333 pacientes encontrou melhora significativa das depressões infraorbitais após o preenchimento quando comparado ao grupo sem tratamento. Além disso, parte relevante da melhora permaneceu observável após 12 meses.

Outro ensaio controlado também demonstrou benefício do ácido hialurônico para correção do esvaziamento infraorbital em adultos selecionados.

Contudo, quantidade e ponto de aplicação precisam ser conservadores.

O objetivo do tratamento para olheiras profundas não consiste em deixar toda a região abaixo dos olhos completamente plana. Uma transição suave e compatível com a anatomia costuma produzir maior naturalidade.

É necessário preencher diretamente toda a olheira?

Não.

Em alguns pacientes, parte da depressão está relacionada à perda de suporte da bochecha. Nesse cenário, tratar somente a área imediatamente abaixo dos olhos pode não oferecer o melhor equilíbrio.

Um estudo prospectivo comparou preenchimento direto da região infraorbital com reposição profunda na bochecha. Os resultados mostraram que ambas as abordagens podem influenciar a aparência do sulco, dependendo da anatomia.

Por isso, a avaliação do terço médio da face é importante.

Além disso, aplicar muito produto diretamente em uma região com pele fina aumenta a possibilidade de irregularidades visíveis.

Assim, o tratamento para olheiras profundas pode envolver pontos de sustentação próximos quando realmente existe indicação.

Quando a olheira não é causada por perda de volume?

Existem várias possibilidades.

Um estudo clínico classificou as olheiras em quatro grandes grupos: pigmentares, vasculares, estruturais e mistas. Naquele grupo de pacientes, a maioria apresentava mais de um componente simultaneamente.

Por isso, uma aparência escura pode estar relacionada a:

  1. Pigmentação marrom
  2. Vasos azulados ou arroxeados
  3. Pele muito fina
  4. Bolsas nas pálpebras inferiores
  5. Flacidez
  6. Sombra provocada pelo formato facial
  7. Inflamação ou dermatite
  8. Combinação de diferentes fatores

Outro estudo com 250 pacientes mostrou que componentes pigmentares e vasculares frequentemente coexistiam. Além disso, flacidez e alterações inflamatórias também foram identificadas em parte relevante dos casos.

Nesse cenário, preencher pode não resolver a causa predominante.

Tratamento para olheiras profundas quando existe pigmentação

Quando a cor permanece mesmo sob diferentes iluminações, pode existir um componente pigmentado.

A pigmentação pode apresentar tonalidade marrom e envolver diferentes mecanismos. Além disso, processos inflamatórios prévios podem contribuir para o escurecimento.

Nesses casos, o tratamento para olheiras profundas precisa ser adaptado. Preenchimento não remove melanina.

Conforme o diagnóstico, podem ser considerados cuidados tópicos e tecnologias destinadas à pigmentação. Um estudo prospectivo com laser em pacientes selecionados com olheiras pigmentadas observou melhora clínica e redução objetiva da pigmentação após o protocolo utilizado.

Entretanto, a região ao redor dos olhos é sensível. Por isso, fototipo, histórico de manchas e intensidade do tratamento precisam ser avaliados antes de qualquer tecnologia.

E quando a olheira é vascular?

Olheiras vasculares podem apresentar tonalidade azul, rosada ou arroxeada.

Isso pode acontecer porque a pele da região é fina e permite maior visualização dos vasos abaixo dela.

Estudos de classificação mostram que o componente vascular representa uma causa frequente de olheiras e pode coexistir com pigmentação ou alterações estruturais.

Nesses casos, adicionar volume não necessariamente corrige a cor.

Além disso, a escolha de tecnologias deve ser feita com cautela, pois a região periorbital possui características anatômicas específicas.

Portanto, identificar se a sombra vem de vasos ou de uma depressão estrutural é fundamental antes de definir o tratamento.

Bolsas abaixo dos olhos podem parecer olheiras profundas?

Sim.

Quando existe protrusão de gordura na pálpebra inferior, cria se uma diferença de relevo entre a bolsa e a região abaixo dela. Consequentemente, a sombra pode deixar o sulco ainda mais aparente.

Um estudo clínico com ultrassonografia demonstrou que pacientes com bolsas infraorbitais podiam apresentar projeção da gordura atrás do septo orbital.

Nesse caso, colocar preenchimento indiscriminadamente abaixo da bolsa pode aumentar o volume total da região.

Quando bolsas são predominantes, tratamentos cirúrgicos podem apresentar indicação melhor em alguns pacientes. Estudos prospectivos recentes avaliaram técnicas de blefaroplastia com reposicionamento da gordura justamente para tratar simultaneamente bolsas e depressões infraorbitais.

Por isso, reconhecer o limite dos injetáveis ajuda a evitar um olhar pesado.

Flacidez também pode piorar a aparência das olheiras?

Pode.

Com o envelhecimento, a pele perde elasticidade e a transição entre pálpebra e bochecha pode se tornar menos uniforme.

Além disso, rugas finas aumentam o número de pequenas sombras na região.

Nesse cenário, o tratamento para olheiras profundas pode precisar incluir estratégias voltadas à qualidade da pele, e não apenas reposição de volume.

Lasers fracionados são uma das possibilidades em pacientes selecionados. Um ensaio clínico prospectivo recente observou melhora de pigmentação, rugas e características da pele periorbital após tratamento com laser fracionado não ablativo.

Contudo, tecnologias não substituem preenchimento quando existe uma depressão estrutural importante. Da mesma forma, o preenchimento não substitui tratamentos voltados à superfície da pele.

Preenchimento pode piorar bolsas e inchaço?

Pode, principalmente em pacientes predispostos a edema ou quando produto, volume e plano de aplicação não são adequados.

A região abaixo dos olhos possui drenagem linfática delicada. Além disso, alguns pacientes já apresentam tendência a inchaço antes do procedimento.

Uma série de acompanhamento prolongado identificou edema malar, alteração azul acinzentada e irregularidades entre as possíveis complicações do preenchimento periorbital.

Outro estudo avaliou 61 pacientes que desenvolveram edema crônico após aplicações de ácido hialurônico na região periocular. Nesses casos, foi necessário dissolver o produto com hialuronidase antes de definir uma nova estratégia.

Portanto, histórico de inchaço precisa ser investigado antes do tratamento para olheiras profundas.

O que é o efeito azulado após preenchimento?

Quando o ácido hialurônico fica muito superficial em uma pele fina, pode ocorrer uma alteração azulada conhecida como efeito Tyndall.

Um estudo prospectivo comparativo sobre preenchimento do sulco lacrimal descreveu essa alteração como uma complicação conhecida do ácido hialurônico na pálpebra inferior.

Por isso, escolher o produto correto e o plano de aplicação adequado é importante.

Além disso, volumes muito grandes aumentam o risco de deixar a região aparente ou irregular.

Caso exista preenchimento antigo associado a edema ou coloração incomum, uma nova aplicação não deve ser realizada automaticamente. Primeiramente, é necessário avaliar o que já está presente.

Como evitar excesso de preenchimento nas olheiras?

A região infraorbital costuma responder melhor a uma estratégia conservadora.

Alguns princípios são importantes:

  1. Avaliar a causa antes de preencher
  2. Analisar também as bochechas
  3. Considerar a presença de bolsas
  4. Investigar edema prévio
  5. Utilizar volumes pequenos quando indicado
  6. Respeitar a espessura da pele
  7. Avaliar assimetrias individualmente
  8. Evitar reaplicações automáticas
  9. Reavaliar após a acomodação
  10. Reconhecer quando outra técnica é mais adequada

Um estudo clínico com 25 pacientes encontrou melhores características de indicação em pacientes mais jovens, com pele mais espessa e uma depressão bem definida.

Isso reforça que nem toda pessoa com olheiras é candidata ao mesmo procedimento.

Quais são os riscos do preenchimento na região dos olhos?

Os efeitos mais frequentes incluem edema, hematomas, sensibilidade e irregularidades. Além disso, complicações tardias como inchaço persistente, nódulos, migração e alterações de cor já foram documentadas.

Existe ainda o risco raro de obstrução vascular.

Complicações vasculares associadas a injetáveis faciais podem provocar danos aos tecidos e alterações visuais graves. Estudos anatômicos mostram que pequenos volumes introduzidos inadvertidamente em determinados vasos podem alcançar a circulação oftálmica.

Casos de perda visual após preenchimentos faciais também estão documentados na literatura. Embora sejam eventos raros, podem apresentar prognóstico grave.

Por isso, alteração súbita da visão, dor intensa ou mudança incomum da cor da pele após uma aplicação exigem avaliação imediata.

Quando a cirurgia pode ser mais indicada?

Procedimentos não cirúrgicos apresentam limitações.

Quando existem bolsas importantes, excesso de pele ou mudanças estruturais mais acentuadas, continuar adicionando preenchimento pode aumentar o volume sem resolver adequadamente a causa.

Nesses casos, uma avaliação para blefaroplastia pode ser considerada.

Um estudo prospectivo randomizado avaliou técnicas cirúrgicas para pacientes com bolsas e sulco lacrimal, mostrando melhora das alterações da pálpebra inferior após o tratamento.

Além disso, estudos recentes analisaram reposicionamento da própria gordura orbital como forma de suavizar a transição entre pálpebra e bochecha.

A cirurgia não é necessária para todas as olheiras. Entretanto, reconhecer sua indicação evita tentativas repetidas de corrigir excesso de pele ou bolsas apenas com injetáveis.

Tratamento para olheiras profundas exige individualização

tratamento para olheiras profundas deve começar pela identificação da causa predominante.

Quando existe perda de volume, o ácido hialurônico pode oferecer bons resultados em pacientes adequadamente selecionados. Entretanto, pigmentação, vasos, bolsas e flacidez exigem estratégias diferentes.

No Instituto Matheus Arantes, a avaliação considera estrutura facial, qualidade da pele, volume das bochechas, presença de bolsas e tratamentos realizados anteriormente.

Assim, o tratamento para olheiras profundas pode envolver reposição estratégica de volume, tecnologias ou outras abordagens conforme a necessidade.

O objetivo não é preencher toda região escura, mas compreender por que a sombra existe e tratar apenas aquilo que realmente precisa de correção, preservando naturalidade e leveza no olhar.